Eita Fer, como assim? Parto normal é parto normal ué, quando o bebê sai pela vagina e tal.

Hmm, será?

Provavelmente todos os humanos já ouviram relatos sobre parto normal, aquele no hospital, terrível, que a mulher sai horrorizada e traumatizada. “Parto normal é anormal!, Normal é cesariana!“, frases comuns de se ouvir hoje em dia. Mas será que é mesmo?

Cerca de 25% das mulheres passam por experiências de Violência Obstétrica. Número baixo, já que boa parte não identifica o que ocorreu como violência, e sim como “atendimento normal”.

  • Não é normal se te isolam do seu acompanhante, previsto por Lei Federal desde 2005 (Lei 11.108/05);
  • não é normal que te mandem calar, ficar quieta, que sejam agressivos ou tirem sarro de sua situação;
  • não é perto de ser normal que digam que na hora de fazer não gritou, ou sejam desrespeitosos com a paciente;
  • não é normal, correto, nem ético que usem de procedimentos rotineiros, sem individualizar os atendimentos, apenas pra que o atendimento ao trabalho de parto e parto seja “mais rápido”. Procedimentos esses que muitas vezes trazem riscos e são utilizados indiscriminadamente, como a perfusão contínua de ocitocina sintética (sorinho), proibição da parturiente caminhar, proibição de alimentação (jejum obrigatório), rompimento artificial da bolsa amniótica, Manobra de Kristeller (“fundinho”, “ajudinha”, pressão no fundo do útero pra forçar a saída do bebê), episiotomia (corte feito na vagina – que há mais de 30 anos é comprovado ser ineficaz), entre outros;

Parto normal não é isso. Quando o atendimento é de qualidade, feito com respeito às evidências científicas e à parturiente, informando do seu estado, necessidades, direitos, ele costuma ser lembrado como uma experiência transformadora, feliz, plena.

Mas e a dor? Bom, sabe-se que quando há medo a dor aumenta. E quando há conforto, compreensão, apoio, a sensação de dor é diminuída. Ter seu acompanhante, saber sobre as fases do trabalho de parto, ter conhecimento pode fazer com que sua experiência seja muito positiva. Experimente perguntar para alguma mãe que teve um bom atendimento no parto sobre sua experiência; como isso é difícil, dada a realidade obstétrica brasileira, deixo aqui o link de relatos de parto em meu site profissional: http://www.nascer.org. Fora que analgesia de parto é um direito de todas, seja SUS ou particular. Caso julgue necessário você pode solicitar, em alguns casos inclusive “salva” muitos partos da desistência.

Tá, tudo bem, mas onde eu vou achar essas informações? Meu médico quase não fala, só pede exames…

Existem atualmente muitos grupos informativos e de apoio online, especialmente no Facebook. Algumas cidades contam com grupos presenciais (em breve Foz também!). Além dos grupos, há profissionais que trabalham especificamente com informações, como Educadoras Perinatais e Doulas, que estão dispostas a auxiliar para que seu caminho em busca de informações seja mais leve.

Atualmente, conforme artigo recente da Organização Mundial da Saúde, cerca de 15% dos nascimentos precisará de cesariana, por exemplo. Hoje temos em nossa realidade municipal um valor médio de 90% de cesarianas nos planos de saúde e 40% pelo SUS. E sabemos que não é apenas por pedido das mulheres. Esse número aumentado é dado especialmente por indicações falsas para a cirurgia, ou pela falta de apoio dos profissionais de saúde, que muitas vezes usam de artifícios emocionais para dissuadir a gestante de sua vontade pelo parto normal.

Se há opção de parir com respeito, com amor, seguindo o fluxo natural e orgânico da vida, por que não?

Procure profissionais aliados às suas necessidades e vontades. Busque informação, apoio e ajuda.
Deixarei abaixo os links de alguns grupos de apoio.

Grupo GestaFoz: fb.com/groups/gestarfoz

Grupo “Cesárea? Não, obrigada!“: fb.com/groups/cesareanao

Página Núcleo Filhas de Gaia: fb.com/NucleoFilhasDeGaia 

Página do Nascer: fb.com/Nascer.Doulas

“Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer.” – Michel Odent

Fernanda Sherer, iguaçuense, mãe, doula e educadora perinatal, apaixonada pelas vivências transformadoras de partos respeitosos.

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