Ela existia na minha vida. Ela era boa, esperta, engraçada. Mas, eu de alguma forma consegui que ela fosse embora. E eu estava aqui pensando em como todos a amavam, até mesmo meu cachorro, quase mais do que eu.  Eu me lembro de quando ela sorria, era tão sincero, e quando ela entristecia…  Ela não continha as emoções, seu olhar era uma fonte de informações sobre elas. Estava tudo lá, você só precisava prestar atenção.

Mas, o que eu mais admirava nela era como ela é boa em amar! Eu ainda admiro muito isso. Ela era pura doação. Ela não se punha de lado por mim ou por outros e nunca deixou que faltasse cuidados emocionais a ninguém. Todos tínhamos o suficiente dela, mas nem sempre ela tinha o suficiente de nós. Principalmente de mim. E acho que foi por isso que ela me deixou.

Hoje faz dois meses que meu cachorro subiu ao céu dos cães. Ele era bondoso, porém ninguém aqui tinha tempo de verdade para ele, o pobre já estava muito velho quando ela surgiu. Mas, quem disse que isso importava, ela acariciava o pelo sujo dele todas as vezes que chegava, afundava os dedos em longos cafunés. O bicho solitário passou a amá-la. Ele abanava seu rabo imensamente feliz quando a via e geralmente o rabo feliz só balançava para os pratos de comida. Ela sempre quis banhá-lo, mas eu nunca permiti e no fundo eu sei que ela não teria hesitado, com minha permissão ou não, se a oportunidade para o banho tivesse chegado.

Bom, hoje quando vi uma foto do meu cachorro, ela veio a minha cabeça e meu coração acelerou, como carros de corrida antes da largada, cheio de emoção e empolgação. E eu me lembrei o quanto ainda me importo com ela, o quanto ainda sinto sua falta.

Falta do cabelo molhado, perfumado no meu travesseiro, falta dos arranhões, das cotoveladas, falta do medo que eu tinha quando ela usava facas, falta do caminhar preguiçoso e da xícara de café que eu recebia na cama pelas manhãs, acompanhadas de beijos e abraços.

É claro que sinto falta de afundar meu corpo no dela, das noites loucas de amor, do seu sorriso ingênuo e safado, da boca quente, do gozo gostoso, da pele macia… falta de tê-la em meus braços.

Às vezes, ela visita minha família. Claro que é sempre quando não estou. Ela está cada dia mais bonita e a cada dia, mesmo que eu tenha sido idiota, canalha e fraco pra não lutar por ela, a amo mais. E sei que ela me ama também, mas o amor por mim deixou de ser o suficiente, quando o meu por ela, parou de aparecer.

Hoje eu sei que tudo que ela queria, é que eu fosse mais parecido com meu cachorro, é uma comparação estúpida, mas coerente. Porque eu sei que tudo que ela queria, é que assim como aquele velho vira-lata, eu demostrasse tudo o que sentia por ela, do mesmo jeito que ela fazia por mim. Se eu tivesse feito isso talvez ela ainda estivesse aqui.

Agora estou sentado olhando a foto do meu bom amigo que jaz no céu canino, ainda me fornece grandes lições. Demonstrar nossos sentimentos, nosso amor, sem se importar em parecer bobo ou feliz demais, importando-se apenas em fazer feliz quem também nos faz.

E acho que acabo de decidir: enquanto ainda há tempo, eu vou guardar a foto deste grande mestre animal, ir atrás dela e lutar por ela como ela merece. Porque isso o deixaria orgulhoso, e também, porque na verdade eu não aguento mais.

Antes que seja tarde, estou indo. Indo para quem amo, pra ver se ela me aceita, pra tentar mais uma vez. Mas, dessa vez, eu prometo velho amigo, não decepcionarei, nem ela nem você!

 

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